A fala é uma das ferramentas mais utilizadas por psicólogos e psiquiatras – e também é a mais importante de todas as outras ferramentas: observação, análise e as escolas de pensamento – para entrar no mundo psíquico do seu paciente e tentar entender os problemas da pessoa em questão. Alguns dizem que o poder da terapia está justamente na fala: “A cura pela fala” é uma das frases mais ditas pela classe de psicólogos e psiquiatras, onde acreditam que a fala é o que faz a pessoa sentir-se melhor: uma vez desabafando e colocando seus problemas para fora tal pessoa irá curar-se do problema em questão, ou seja, colocam todo o poder e foco na simples fala de uma pessoa. Não que eu queira desmerecer a importância da fala – como já foi dito, é o principal elo de ligação entre terapeuta e paciente e a porta de entrada para o mundo psíquico – mas, acredito que o foco não deva estar nela, mas, sim em outro fator.
Terapia é auto-conhecimento e reflexão – ao menos em teoria – embora muitos busquem as sessões com o propósito de uma “cura mágica” e rápida inicialmente e quando acham-se “curados” desistem de continuar – acredito que a grande maioria seja assim – embora também haja alguns que continuem as sessões por considerarem benéfica e criam como objetivo o aprofundamento do conhecimento em si próprio. É nesse ponto que eu foco – reflexão – é exatamente nesse fator que coloco a centralização do poder de “cura” – todavia, em minha opinião: a psicologia e o terapeuta não “curam” ninguém, quem “cura-se” é a própria pessoa – também acredito que não se deva dar á psicologia o status de “curadora” pois ela não isso como principal objetivo – mas sim, auto-conhecimento e a reflexão – e então, perguntam: “Porque faria terapia, se esta não vai me curar, apenas me dar auto-conhecimento e me fazer refletir? Não é o meu objetivo!” e eu responderia: “Quer conhecimento melhor do que o de si próprio para curar-se? Não há!”.
Voltando a fala e a sua função, embora muitos centralizem nela o papel de “curadora” vejo-a apenas com papel secundário, onde a fala é apenas um meio de externalização dos pensamentos e conteúdos, quando a fala vem á tona, todos os sentimentos e emoções tornam-se concretos e reais no mundo que está fora de sua psique. O papel de um psicólogo é de simplesmente mostrar aquilo que um paciente não enxerga, tudo aquilo que está por de trás de seus pensamentos e ações, garimpar e desvendar o mais profundo possível da psique humana. E, o psicólogo é necessário e importante estar ao lado de uma pessoa na descoberta de si própria por alguns motivos, são 3: “Ética na Descoberta” - primeiramente pois o profissional está de fora do contexto de convivência com o paciente, logo não tem como julgar a pessoa em questão já que não convive com esta, sendo assim, sua análise será imparcial e livre de influências; e também estando de fora da situação poderá enxergar tudo ás claras e sem distorções. “Ver Além da Superfície” – a segunda questão está ligada ao primeiro fator: o profissional fará o paciente enxergar tudo aquilo que está no fundo da psique humana – como já foi dito – tudo aquilo que não é passível de ser percebido pelo próprio paciente por causa de suas distorções da realidade e o medo de ir a fundo e descobrir coisas que não gostaria de saber – ou que pensa não saber (finge) para fugir da realidade. “Ir Além com a Ajuda de Conhecimentos Teóricos” – por fim, o terceiro fator deve-se ao fato de que o profissional analista tem conhecimentos teóricos que pessoas leigas – ou mesmo aquelas que não sejam leigas, que estudem isso por si próprias – não tem acesso; este profissional estudou por 5 anos, entre aulas teóricas sobre a história da psicologia e suas teorias e escolas de pensamento e suas aulas práticas, sendo assim, ele tem diversas ferramentas – já citadas lá em cima – para ajudar o paciente durante esse processo de se desmontar e analisar cada uma de suas lembranças e vivências; com o auxílio de todas estas ferramentas, o paciente conseguirá se desmontar e entender-se por completo.
Para que uma terapia tenha sucesso, acredito que duas coisas sejam fundamentais: primeiro, que o paciente em questão tenha interesse verdadeiro em colaborar com o psicólogo para que haja a obtenção desse auto-conhecimento e as reflexões também, e sendo assim, esta pessoa deve querer mudar e estar disposta a melhorar; por segundo, todos sabem que a psique humana é uma fonte de informações preciosas a respeito da vida de cada ser humano, logo não é qualquer um que pode tentar ter acesso a essas informações – aliás, não é difícil ter acesso, o difícil é o controlar esse acesso - só um bom profissional poderá manejar essas informações com responsabilidade, retirando do paciente aquilo que ele está disposto a mostrar e trabalhar esses conteúdos de forma correta em direção a bons resultados – não pode-se “abrir” conteúdos de uma pessoa e deixá-los em aberto, sem uma resolução... Isto causa problemas ao ser em questão, sofrimento psíquico – Resumidamente, precisa-se de um profissional qualificado e ético para com seus pacientes.
Para finalizar, a minha conclusão é de que para que uma terapia obtenha sucesso a vontade do paciente é primordial e logo como fator secundário, temos que ter um bom profissional direcionando esta pessoa em questão; acredito que cerca de 70% da chance de se obter sucesso dependa do paciente e 30% do profissional. Não vejo a fala como fator primordial, mas o auto-conhecimento que obterá e a reflexão que fará destas informações, como usará esses dados é que levaram a um caminho de melhora.
Uma pessoa pode obter conhecimento a cerca de si mesmo sem a ajuda de um profissional, basta ter a vontade de ir atrás disso – com meditações e reflexões, por exemplo – Assim, conseguirá conhecer um pouco de si própria e melhorar a qualidade de sua vida com a ajuda desses conhecimentos, mas é essencial que se busque um profissional se realmente se quer aprofundar-se completamente e penetrar no todo e na complexidade da mente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário