Viver tem sido um grande fardo.
Algo que é carregado todos os dias, por comodismo e falta de coragem. Se a
coragem existisse, colocaria fim a todo o peso que carrego comigo. As vezes,
você clama pelo socorro e pela vida, mas ninguém parece se importar em te
ajudar; outras vezes, eles tentam te ajudar, mas não conseguem, pois você mesma
não quer ser ajudada. Não é fácil viver com isso. Os dias são em preto e
branco. O colorido se foi há muito tempo, se é que um dia tiveste dias
coloridos. Tristezas, decepções, frustrações, repressões, opressões, maldade,
traição, enganos, mentiras, orgulho, vaidade, incompreensão, rejeição, revolta,
falta de amor. A vida é realmente vivida por aqueles que conseguem a ver
colorida, aqueles que correm atrás dos seus sonhos, aqueles que se mostram,
aqueles que deixam saberem que existem. Para o outro lado, a vida passa
vagarosamente, nós a olhamos e continuamos parados, sem fazer nada. Torcemos
para que o tempo corra ou a coragem venha. Há poucos momentos bons, aqueles que
te tiram da escuridão e em que você pode ver um pouco da luz do mundo.
Infelizmente, tudo é momentâneo: a felicidade é de momento, logo passa. Você
volta ao estado de apatia e sofrimento anterior. A mente vazia, o dia nublado e
o estar desacompanhado trazem as repressões do superego á tona, os desejos do
id e assim vamos tentando nos equilibrar através do mediador ego. Amigos que
percorrem caminhos diferentes, sentimentos que acabam e não voltam mais,
pessoas que partem e nos deixam com saudades, o vazio existencial e a
descrença, a confusão do ser ou não ser, erros cometidos, lágrimas derramadas e
corações partidos, a dúvida e o medo. Qualquer coisa pode engatilhar a loucura
num ser: o tudo que atormenta ou o nada que incomoda. A vida não é tão bela, não
para quem enxerga o mundo no preto e branco.
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